Home Artigos e Opiniões A demanda chinesa por milho é crescente, será uma oportunidade ao Brasil ?

A demanda chinesa por milho é crescente, será uma oportunidade ao Brasil ?

A demanda chinesa por milho é crescente, será uma oportunidade ao Brasil ?
0
0

Por Glauber Silveira da Silva

A China é nosso principal cliente da soja, a demanda deste país pelo grão de ouro possibilitou a expansão da soja no cerrado brasileiro, e depois com o surgimento da segunda safra no Centro Oeste o milho ganhe espaço e passamos das 100 milhões de toneladas, como é notório a crescente importação da china por grãos uma vez que mesmo sendo um grande produtor o segundo maior produtor de milho do mundo, como a China é o segundo maior pais em população e uma população que busca se alimentar cada vez mais de proteína, isto o torna um cliente voraz.

Mudança no consumo já o crescimento progressivo das importações de produtos destinados ao consumo é resultado do crescimento da classe média, da urbanização e da alteração das dietas da população chinesa, que passa, cada vez mais, a consumir carnes, lácteos, frutas, legumes, castanhas e produtos processados. De acordo com o USDA, entre 2000 e 2019, o consumo de óleo de soja quadruplicou, o de leite e derivados mais do que triplicou e o de castanhas e nozes cresceu 300%. Isso acompanhado ao descompasso entre a velocidade de crescimento da demanda frente a oferta doméstica tem aumentado as exportações destes produtos.

As importações chinesas de milho alcançaram 1,08 milhão de toneladas em setembro 2020, volume 675,1% superior ao registrado em setembro de 2019. No acumulado do ano, o país importou 6,67 milhões de toneladas do cereal. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) as compras chinesas de milho americano para entrega no ano comercial 2020/2021 estão em cerca de 10 milhões de toneladas, este mercado importador crescente tem atraído os olhares do Brasil.

A demanda chinesa por milho levou a consultoria a Agroinvest Commodities a afirmar que a China vai ser a maior importadora de milho do mundo. “Isso tudo é um reflexo da recuperação do rebanho na China após a Peste Suína Africana. O governo chinês tem feito leilões dos estoques e hoje, já estão no menor nível e o governo vai precisar recompor o seu estoque, demandando ainda mais o cereal”, explica o analista de mercado Marcos Araújo, porém o desafio é como o Brasil pode ser um fornecedor cativo para a China.

Recente relatório da consultoria EMIS sobre a produção agrícola chinesa prevê redução da produção chinesa de milho até 2024 e aumento das importações para atender à demanda doméstica. A redução dos estoques públicos de milho a partir de 2014 e efeitos ocasionais de quebras de safra por questões climáticas ou a ocorrência de pragas, como a da lagarta do cartucho, explicam o crescimento das importações de milho chinesas nos últimos meses e abre espaço para pressões junto à Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) com vistas à ampliação das cotas tarifárias de importação, atualmente fixadas em 7,2 milhões de toneladas.

A decisão de antecipar as compras de alguns grãos diante do receio de interrupção de cadeias globais de distribuição durante a pandemia de COVID-19 e os esforços de cumprimento da “Fase I” do Acordo Comercial sino-americano também justificam, para alguns analistas, o aumento verificado nas importações chinesas nos oito primeiros meses do ano.

As metas do governo chinês de retomada da produção de suínos e de crescimento de cerca de 10% na produção de bovinos até 2025 indicam que a demanda chinesa por grãos para ração continuará aquecida nos próximos anos.

O Brasil tem se consolidado como um exportador mundial importante de milho, porém não tem ainda a China como um comprador como na soja, a China atualmente produz 260 milhões de toneladas e consome 279 milhões ou seja, importa ou irá consumir mais de seu estoque interno, a China é o país que tem o maior estoque interno do mundo, 200 milhões de toneladas, e vem caindo, Nos últimos quatro anos a importação de milho pela China aumentou. Em 2017 eram apenas cerca de 2,8 milhões de toneladas, em 2018 subiu para 3,5 milhões de toneladas, em 2019 foram 4,8 milhões de toneladas. Segundo dados do USDA a expectativa para 2020 é uma importação de 7 milhões de toneladas e a previsão para 2021 é de 10 milhões de toneladas pelo menos.

A China tem como principal parceiro a Ucrânia que representa cerca de 80% das importações de milho do país. Os Estados Unidos com uma parcela bem menor do mercado respondem por aproximadamente 10%, e Laos de 3 a 5%. Este último, trata-se de um país de regime socialista que faz fronteira com a China, porém com os acordos comerciais com os EUA se espera que no futuro uma grande parcela da importação venha dos EUA.

No ano de 2019, o Brasil exportou um total de 41 milhões de toneladas, das quais apenas 68 mil toneladas foram para a China, o que é quase nada. O Brasil tem buscado negociar com a China para abrir mais o mercado de milho, afinal temos um potencial crescente de produção e a China de consumo. A ABRAMILHO tem feito esforços para estimular a negociação e buscar quebrar qualquer barreira que possa haver a importação da China, não podemos deixar de participar de qualquer mercado importador que surja seja de grãos ou de carnes, afinal esta é nossa aptidão produzir alimentos.

 

Glauber Silveira da Silva é Pres. Arefloresta,da C.S.Soja do MAPA, dir. da Aprosoja, Abramilho, produtor, agrônomo, Jornalista e apresentador do Direto ao Ponto.canalrural.uol.com.br/programas/informacao/direto-ao-ponto

www.facebook.com/glauberdiretoaoponto

Deixe uma resposta