A guerra

A guerra

0
0

A violência surge quando falecem os argumentos

*Por Gil Reis consultor em Agronegócio.

Estamos todos perplexos com a grande tragédia que está ocorrendo no leste europeu com a Rússia invadindo a Ucrânia, uma situação até há pouco impensável em pleno século XXI. A conclusão que chego é que apesar da grande evolução humana as atitudes pouco mudaram. A busca pela hegemonia e supremacia de nações prossegue através da história onde o que conta é o poder e a perda de vidas é um mero ‘efeito colateral’. A guerra ou como alguns chamam ‘conflito armado’, não importa a dimensão ou o nome, sempre envolve perdas de vidas em maior ou menor escala.

A guerra, uma palavra tão curta, é de uma incongruência absurda. O maior patrimônio da humanidade não são a hegemonia ou supremacia de nações na geopolítica e sim as vidas. A perda de uma única vida é uma tragédia inominável e de uma forma incalculável já que, a meu ver, de uma maneira ou de outra todas as vidas são interligadas, provocando uma reação em cadeia. Aí vale lembrar o que dizia o meu saudoso pai – nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco, a guerra, não importa quem são os litigantes, onde acontece ou a sua dimensão, provocando a perda de vidas fragiliza a todos nós.

O que mais espanta são as soluções encontradas e esposadas contra àquela a quem se atribui a culpa do conflito, todas de caráter punitivo e de longo prazo, enquanto isso tudo continua como dantes no ‘quartel de Abrantes’. E o povo ucraniano como fica? Tais medidas tem o condão de paralisar a denominada invasão ou provocar a retirada das tropas russas do território ucraniano? Outra solução encontrada para tentar paralisar e encerrar a invasão está sendo armar as forças armadas ucranianas para proteger o povo – que povo? Os sobreviventes?

Claro que não estamos tratando apenas da sobrevivência do povo ucraniano, trata-se de preservar a soberania da Ucrânia. A maioria de nós daria a própria vida para garantir a soberania do nosso próprio país. Será que a solução para garantir soberania pelas armas é a correta? Creio que a ameaça de armas para garantir qualquer soberania é uma solução que a mor parte das vezes funciona, todavia, se não funciona transforma-se em uma grande desgraça. Ainda acredito na negociação.

Naturalmente, como todos sabem, tem havido negociações, todas fracassadas. Até o Conselho de Segurança da ONU foi convocado e alguns países optaram pela condenação da atitude russa, uma medida que na prática trata-se de um posicionamento apenas político dos votantes. Agora vejamos, o tal Conselho é composto por 15 países entre os quais estão os envolvidos no conflito com poder de veto, o resultado já se previa, um grande ‘mise en scène’. Será que esse é o único posicionamento possível da ONU?

Não sou um especialista no assunto, porém conheço a história da criação da ONU e o site do Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC) traz os seus objetivos:

“A Organização das Nações Unidas é uma organização internacional fundada em 1945. Atualmente, é composta por 193 Estados-membros. A missão e o trabalho das Nações Unidas são guiados pelos propósitos e princípios contidos na sua Carta fundadora – a Carta das Nações Unidas.

A ONU serve como fórum para os seus Estados-membros expressarem pontos de vista através da Assembleia Geral, do Conselho de Segurança, do Conselho Económico e Social e de outros órgãos e comissões da Organização. Ao possibilitar o diálogo entre os seus membros e ao mediar negociações, a ONU tornou-se no mecanismo que permite aos governos encontrar áreas de entendimento e lidar com os desafios em conjunto. O chefe administrativo da ONU é o secretário-geral.

O objetivo da ONU é o de unir todas as nações do mundo em prol da paz e do desenvolvimento, com base nos princípios da justiça, dignidade humana e no bem-estar de todos. A ONU dá aos países a oportunidade de procurar soluções em conjunto para os desafios do mundo, preservando os interesses e a soberania nacional.”

Enquanto o mundo atravessa um conflito representado pelo embate de grandes potencias tendo como vítima um país como a Ucrânia, ainda como não especialista, sugeriria a intervenção da ONU para convocar à mesa de negociações os litigantes em busca de uma solução diplomática para evitar a perda de mais vidas. Como já disse antes negociações fracassaram, acontece que tal ação foi desenvolvida com o debate das nações envolvidas e da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN ou NATO.

A proposta agora é outra, que a ONU solicite uma paralisação na atuação bélica e comande a negociação, através de um negociador neutro sem interesse no conflito, em nome dos 193 países membros, cuja maioria creio não tem qualquer interesse envolvido no embate. Aí sim a ONU poderia mostrar a que veio. Tenho certeza que o resultado seria atendido e respeitado.

Outra grande causa de perplexidade é que o mundo ocidental e a ONU vem capitaneando uma enorme campanha de preservação ambiental e de salvação do planeta com medidas para impedir que ações humanas deixem de provocar o aquecimento global e as alterações climáticas. A maioria destes países está incentivando, sem intervir diretamente, o fornecimento de armamentos capazes de prolongar e agravar o conflito com consequências desastrosas na destruição de vidas, do meio ambiente, aumento do aquecimento e das alterações climáticas. Há ainda o risco de um grande embate nuclear que é possível sim, pois todos dependemos da ‘sanidade mental’ das lideranças do conflito.

Outro ponto são as sanções impostas à Rússia, de improviso no calor dos embates, sem o devido estudo do impacto que causará às demais nações. É preciso observar que hoje vivemos em um mundo globalizado, principalmente, nas áreas de produção e comercialização. Globalização é como se denominou o movimento migratório de empresas privadas para territórios onde pudessem gozar de mais benefícios de toda ordem, diferentemente dos seus países de origem. Hoje grande parte dos países é interdependente nas duas áreas mencionadas. As exportações e as importações dependem diretamente de outros países e o Brasil faz parte do processo. Levando em conta que o que viabiliza todas as negociações comerciais é o sistema bancário internacional dá pra perceber o impacto das sanções.

Não me alongarei mais nesta análise de não especialista e levando em conta o título do artigo encerro com o texto que circula na internet e se atribui a Erich Hartmann:

“A guerra é um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam entre sí, por decisão de velhos que se conhecem, se odeiam mas não se matam”

Deixe uma resposta