CINEMA MATO-GROSSENSE

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Para Gagliasso, Bruno Bini estreia em longa-metragem de forma “atrevida”

Maria Clara Cabral

 

“Loop” começa a ser filmado na capital neste domingo e deve ser lançado ainda em 2018

A partir deste domingo (25), Cuiabá se transforma em um set de filmagens para ser cenário da superprodução do cineasta da terra, Bruno Bini. O primeiro longa-metragem do diretor e roteirista, “Loop” terá o global Bruno Gagliasso como protagonista da trama, já considerada complexa e atrevida pelo o ator e a equipe de peso.

Com supervisão artística do renomado Fernando Meirelles e preparação de elenco de Fátima Toledo, que treinou atores de Tropa de Elite, o filme irá envolver 90 profissionais até a fase de pós-produção. Considerando elenco de apoio e figuração, o diretor afirma que conta com 280 mato-grossenses. “A maior parte da equipe é de Mato Grosso”, disse Gagliasso.

O filme conta a história do físico Daniel que fica obcecado em voltar no tempo depois que a noiva morre – interpretada por Bia Arantes, que está na ativa como Brice na novela “Deus Salve o Rei”. O elenco principal ainda conta com Branca Messina, Nikolas Antunes, Roberto Birindelli e José Carlos Machado.

A equipe adianta que espera a fazer a primeira exibição de Loop ainda este ano e a pós-produção deve exigir um cuidado especial porque tem alguns efeitos especiais.

Para o diretor Bruno Bini, o grande desafio de seu primeiro longa é a dimensão da produção, além da profundidade da trama. “O tanto de decisão que eu preciso tomar, o grau de envolvimento em tudo e lidar com um roteiro tão complexo”, afirma.

“Loop é um filme que tem seus momentos de leveza, mas algumas cenas tem um mergulho emocional profundo”, ressalta Bini. “É um turbilhão, uma montanha russa”, completa Gagliasso. O diretor destaca a versatilidade e intensidade do ator para interpretar o papel. “Não poderia ser feito por qualquer um e a gente precisava de um ator com capacidade de comunicar as coisas com muita sensibilidade, trazendo a profundidade que o papel pede”.

Divulgação

Bruno Gagliasso em Marighella
Após interpretar Marighela em filme de Wagner Moura, Gagliasso será Daniel em “Loop”

Elenco

Bruno Gagliasso também não hesita ao afirmar que identificou seu trabalho com o novo personagem. “Eu gosto de personagens complexos e desafiadores e este não é diferente”. Para ele, o principal desafio é humanizar o personagem, o que considera ser a maior busca de um ator. Ele ainda destaca a parceria da Globo Filmes e Fernando Meireles. “Ele é nosso Oráulo”, completa Bini.

Para construir Daniel, Gagliasso contou com preparação de elenco de Fátima Toleto, com quem já estava trabalhando em seu último filme “Marighela”, com direção de Wagner Moura. Os atores do elenco principal passaram por um treinamento com a preparadora renomada na última semana. “Ela tinha as ferramentas necessárias para me despir daquele personagem e me vestir neste. Ela ter vindo para Loop fez toda a diferença”, afirma.

Já Branca Messina era uma atriz já almejada por Bini. “Achei que ela tinha a cara da Simone, mandei uma mensagem para ela no Facebook dizendo ‘Oi, eu sou o Bruno e queria que você participasse do meu filme”, conta ele.

Mas o grande mistério é o personagem interpretado por Nikolas Antunes, que teve de emagrecer 12kg para o papel que assume importância chave na trama. “O Nikolas foi mais difícil, vocês vão entender por que quando o filme estiver pronto”, provoca Bini, mas revela que a escolha se deu pela capacidade de interpretação e o físico.

Mesmo complexo, Bini adianta ainda que Loop será um filme com forte apelo popular por permitir “voltar no tempo”. Para o diretor, a premissa traz reflexões sobre superação e estimula a curiosidade sobre a história. “É um filme que tem muitas referências pop e pode-se dizer que é uma aventura, então é um filme que vai interessar o grande público”, afirma o diretor.

Reprodução

sandro e romeu
Sandro Lucose e Romeu Benedicto (do personagem Totó Bodega), compõem o elenco cuibano de “Loop”

Cuiabá

O projeto envolve 60 profissionais locais e está orçado em R$ 3 milhões, mas ainda não está captado na totalidade. Segundo a produtora executiva Angelina Stein, o mercado cuiabano deverá absorver R$ 2 milhões de sua execução local. Mercado este que poderá ser reconhecido nacionalmente com a dimensão de “Loop”.

“O audiovisual de Mato Grosso existe e entrega produtos muito interessantes, filmes que estão circulando no Brasil e exterior. Mas ainda existe um muro e o que a gente quer fazer com o filme é destroçar esse muro e trazer a atenção do país para Cuiabá e Mato Grosso e mostrar que aqui dá para fazer e fazer bem feito”, afirma Bruno, otimista.

Apesar de movimentar a cidade, o diretor não se prenderá em registrar uma Cuiabá turística. “Não estou tratando o Loop como um filme cuiabano e nem pretendo tentar forçar a barra. A história acontece aqui de uma maneira fluida, não sei se as pessoas que não são daqui conseguirão identificar, mas para quem é daqui vai ser muito interessante”, completa.

O filme será rodado em locações como Praça da Mandioca, a UFMT – local nostálgico para o diretor – além de ruas características. “Teremos a oportunidade de registrar Cuiabá de um jeito bastante interessante, sem forçar a barra, não quero fazer um merchandising”, reforça.

“Todo mundo pergunta porquê Cuiabá e acho que a melhor resposta para isso é ‘por que não Cuiabá?’. Essa é uma grande produção, um filme que só tem fera, foi um dos melhores roteiros que já tinha lido na minha vida. O Bruno é muito ousado e este é um primeiro longa atrevido, abusado”, brinca.

O ator cuiabano Sandro Lucose, que está no elenco como o pai do personagem de Gagliasso, revela ainda que o longa-metragem irá abordar assuntos como violência contra mulher, assédio, pedofilia e espera ver o filme “colocar o dedo na ferida do agro”, comparando Loop a referenciadas produção a Boi Neon e Aquarius.

“Vocês vão se surpreender. Já sabem que o bruno gosta de ‘porradaria’ e tal, mas agora ele coloca um ácido que é corrosivo”, brinca Lucose recorrendo a Três Tipos de Medo, curta-metragem policial que contou com Jonathan Haagensen.

(O LIVRE)

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