Especialista destaca papel de mediador do professor

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Doutor defende associação entre educação e saúde e criação de equipes multidisciplinares para o processo de diagnóstico e avaliação

por Viviane Saggin | Seduc-MT

É necessário ter um olhar atento e diferenciado em sala de aula para reconhecer as dificuldades dos alunos portadores de dislexia. Esse atendimento determina ao docente um caráter de mediador, pesquisador e agente da igualdade no ambiente escolar.

É o que defende Rafael Pereira da Silva, doutor em Ciências da Educação, pós-doutor em Ciências da Reabilitação, especialista em distúrbios de aprendizagem, diretor da Disclínica e apresentador do programa de televisão “Viagem pelo Cérebro”, da TV Lisboa, Portugal.

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O especialista proferiu palestra, na noite desta quarta-feira (24), no 2º Simpósio sobre Dislexia, em Mato Grosso – Dislexia, um jeito de ser e de aprender, promovido pela Sala da Mulher da Assembleia Legislativa, em parceria com o Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros.

Para Rafael, do ponto de vista de políticas públicas, é necessário que se faça uma associação entre a educação e a saúde. “É preciso colocar os técnicos das duas áreas para atuar em conjunto, criar equipes multidisciplinares, fundamentais no processo de avaliação. Quando trabalhamos apenas uma área na questão da dislexia, o processo não dá certo”, ressalta.

Ele destaca ainda que não cabe ao professor fazer diagnóstico, porém é preciso que ele consiga identificar sinais, para que o aluno seja encaminhado a equipes multidisciplinares preparadas que poderão fazer essa avaliação. “Esse é o papel fundamental do professor, porém, após o diagnóstico, ele tem a função importante de continuar o processo de intervenção, mesmo que a criança esteja sendo acompanhada fora da escola”.

A dislexia é classificada em três níveis: severo, moderado e leve. Segundo Rafael, que professores, pais e especialistas precisam estar atentos aos problemas de aprendizagem, uma vez que os disléxicos, ainda que aprendam de uma maneira diferente, podem acompanhar o ensino convencional, desde que tenham apoio necessário para contornar suas dificuldades.

“É muito importante discutir as questões relacionadas à leitura, escrita, aos transtornos de aprendizagem, acima de tudo. É relevante para os pais, para a família em sua totalidade, para os jovens que estão passando por esta situação e que há muito tempo buscam saber o que está acontecendo, e para todos os profissionais da área da educação, que muitas vezes, por desconhecimento, não sabem lidar com o problema”.

Além disso, Rafael defende uma escola inclusiva. “Os alunos disléxicos podem e devem ser incluídos. Quando falamos em inclusão, não estamos falando em integração – que é um processo pela metade”.

Rede Estadual

Durante a cerimônia de abertura do evento, o secretário-adjunto de Política Educacional da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc), Edinaldo Gomes de Sousa, destacou as ações que estão sendo implementadas na rede estadual de educação para que os estudantes com transtornos de aprendizagem sejam atendidos.

“A Seduc está se comprometendo, na medida do possível, a atuar de maneira mais efetiva na educação especial. Temos fortalecido a atuação do Centro de Apoio e Suporte à Inclusão (Casies), que possui uma equipe multidisciplinar, com psicólogo, assistente social, fonoaudiólogo, entre outros, que estão fazendo as avaliações nos municípios”, afirmou Edinaldo.

Ele explicou que a unidade escolar, quando identifica um aluno com alguma dificuldade, informa à Seduc, que aciona os profissionais para que se faça o levantamento. “É um diagnóstico pedagógico, pois não podemos fazer o diagnóstico clínico. Porém, com isso, já conseguimos identificar problemas, não apenas de dislexia, como outros relacionados a visão e audição, por exemplo”.

Abertura

A cerimônia de abertura do 2º Simpósio sobre Dislexia contou com a presença do idealizador e coordenador do evento, deputado estadual licenciado e secretário de Estado das Cidades, Wilson Santos, do secretário adjunto de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Casa Civil, Marcione Mendes de Pinho, da presidente do Conselho Estadual de Educação, Adriana Tomasoni, e da presidente do Grupo Dislexia MT, Gabrielle Coury, entre outros.

O evento segue nesta quinta-feira, 25, com o PhD Dr. Fernando Capovilla, autor de mais de 50 obras, livre-docente em Neuropsicologia, professor titular da Universidade de São Paulo.

A iniciativa conta com apoio do Grupo Dislexia MT, Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Sicoob, Rede de Hotéis Mato Grosso, Associação Brasileira de Dislexia, Faculdades Evangélicas Integradas Cantares de Salomão (FEICS), Tubarão Uniformes e Associação Brasileira de Dislexia (ABD).

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