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Fertilizantes e o desafio da produção brasileira.

Fertilizantes e o desafio da produção brasileira.

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Foi lançado o Plano Nacional de Fertilizantes, o objetivo é diminuir a dependência de importação.

Por – Glauber Silveira *

O mundo todo olha para o Brasil como o protagonista no fornecimento de alimentos para o mundo nos próximos anos, com a população em crescimento a demanda cresce de forma significativa, o nosso país tem área suficiente para triplicar sua produção pelo incremento em produtividade e a conversão de pastagens em agricultura, com isto fertilizando estas novas áreas agrícolas e melhorando as pastagens para que ela venha a ter maior ocupação e libere áreas para a agricultura.

O Brasil tem respondido a demanda mundial, tanto que é hoje o segundo maior exportador de milho e o maior de soja, mas este crescimento vem sendo ameaçado pelos fertilizantes, hoje a agricultura possui uma dependência superior a 75%, dependência que tem crescido ano após ano pela dificuldade de exploração de minas de fertilizantes no Brasil, a nossa dependência é de 51% de fosforo e 91% do potássio.

A guerra da Rússia com a Ucrânia colocou ainda mais em evidencia esta dependência uma vez que a \Rússia é um grande fornecedor de fertilizante para o Brasil, no nitrogenado 24% vêm da Rússia, Fosfato 14% e potássio 20% ou seja, a Rússia é responsável por 22,3% do fertilizante que importamos. Com a guerra o governo brasileiro busca alternativas de fornecimento, mas a importante lembrar que mais países também buscam os mesmos fornecedores.

O mais interessante é que o Brasil é o único país que possui fertilizantes em abundância em seu subsolo e mesmo assim é o maior importador, somos o país da dificuldade, seja por questão jurídica, fundiária, ambiental ou indígena, temos dezenas de ONGs e promotores prontos a barrar qualquer investimento importante ao país sempre na justificativa das minorias ou de legislações, um exemplo é o projeto de potássio de Autazes no Amazonas que apesar de não ser em reserva indígena esta desde 2013 buscando sua licença para exploração e atender em até 50% da nossa necessidade de potássio.

Diante do cenário o governo brasileiro tomou a iniciativa de lançar o Plano Nacional de Fertilizantes; Plano pretende diminuir a dependência de fertilizantes importados de 85% para 50% em 30 anos a implementação das medidas do Plano pode reduzir a dependência de produtos nitrogenados em 51% e fosfatados em 5%, e tornar o Brasil um exportador de potássio.

Quanto à gestão e o monitoramento desses objetivos, o documento sugere a criação da Comissão de Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert). O conselho será o responsável por pautar as ações do Executivo federal, dialogar com o Congresso Nacional, analisar, monitorar e propor ajustes. O colegiado executará o plano e monitorar seus efeitos em ciclos de quatro anos para avaliar se os objetivos serão atingidos e calibrar possíveis mudanças.

A iniciativa desenhada pelo governo federal traça cinco objetivos estratégicos: Modernizar, reativar e ampliar as plantas e projetos de fertilizantes existentes no Brasil; Melhorar o ambiente de negócios no Brasil para atração de investimentos para a cadeia de fertilizantes e nutrição de plantas; Promover vantagens competitivas na cadeia de produção nacional de fertilizantes para melhorar o suprimento do mercado brasileiro; Ampliar os investimentos em PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) e no desenvolvimento da cadeia de fertilizantes e nutrição de plantas do Brasil; Adequar a infraestrutura para integração de polos logísticos e viabilização de empreendimentos.

Resultados esperados em 2030: Ter capacidade de produzir 1,9 milhão de toneladas de nitrogênio (estimativa da produção em 2020 de 224 mil toneladas); Ter capacidade produtiva de 4,2 milhões de toneladas em nutrientes de fosfato (estimativa nos últimos cinco anos de produção entre 1,7 e 2 milhões de toneladas/ano); Elevar a produção nacional de óxido de potássio a 2 milhões de toneladas (estimativa em 2020 de uma produção aproximada de 250 mil toneladas); Instalar ao menos duas empresas produtoras de nitrogênio fertilizante; Atrair ao menos R$ 10 bilhões em investimentos na construção de fábricas de fertilizantes nitrogenados; Aumentar de cinco para sete fábricas de fertilizantes fosfatados e totalizar 10 até 2040; Aumentar de cinco para 10 fábricas de fertilizantes potássicos e totalizar 20 até 2040.

Apesar de muito comemorado o plano, no curto prazo pouco efeito se tem, haja visto que qualquer investimento em novas jazidas levam 5 anos para ter inicio de operação se o Ministério Público não atrapalhar, sendo assim é fundamental a aprovação urgente do PL 3729/2004 que é a Modernização do Marco de Licenciamento Ambiental, sem o qual continuaremos a levar de 10 a 15 anos para se obter uma licença neste país, é preciso que todos entendam que sem fertilizantes não se tem a produção de alimentos, talvez agora com a alta dos produtos agrícolas e talvez a falta a sociedade urbana se some ao produtores na busca de soluções para que o nosso país seja autossuficiente em fertilizantes e na produção de alimentos.

*Agronomo, Jornalista, Diretor executivo da Abramilho, Presidente da Arefloresta

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