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Não seja apenas uma conexão virtual

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Por Olga Lustosa

Vivemos procurando formas mais inteligentes ou efetivas de nos comunicar com os outros seres humanos, porém, boa parte do nosso tempo vivemos em estado de negação. Negamos ser preconceituosos, negamos ser rancorosos, negamos o que dissemos e até o que fomos e somos. Na complexidade do mundo moderno, o indivíduo tem ficado impossibilitado de orientar suas decisões de maneira independente e em razão disso, encontra-se condenado a viver o mal-estar de negar suas próprias convicções, ora por necessidade social, ora por questões de alinhamento político ou porque habituou-se a viver em negação de seus próprios valores éticos e morais.

Como estratégia da civilidade social, ficamos em silêncio sobre coisas que sabemos profundamente, mas não sabemos se devemos dizer ou não. Assim, as vivências se tornam ilusórias e remotas. Toda nossa realidade é vivida para a mídia. O deslocamento físico e grande esforço não são mais necessários para se falar com grande público, o que me leva a crer que a excitação da mente acaba contrastando com a imobilidade dos corpos diante do computador para propagar uma verdade ou negá-la.

Contudo, creio que o indivíduo deve ser chamado para dentro das campanhas eleitorais, não apenas como uma conexão virtual, mas como um sujeito clássico, com personalidade para realçar o pensamento moderno, autonomia para expressar-se com relação aos temas complexos, sem medo de assumir  posicionamento contrário as ditaduras impostas pela moda, pelo costume ou pela história.

Em situação desesperadora na caça ao voto muitos desistem de preservar a fé e a integridade

Nos momentos em que os políticos se mostram como políticos há uma profusão de vozes, tolerância e pluralidade de opiniões para ganhar sua atenção e voto. Corremos o risco de aceitarmos as inverdades dos outros. Desconfie do discurso político que favoreça a visão de um mundo desatrelado da verdade, da lealdade e da coerência. Em situação desesperadora na caça ao voto muitos desistem de preservar a fé e a integridade.

A negação contida nos discursos pode ser tão simples quanto recusar-se a aceitar que alguém está falando com sinceridade ou pode ser tão insondável quanto as múltiplas maneiras de evitarmos reconhecer os pontos fracos. A negação do que se é ou do que se pensa é furtiva, se esconde da verdade e constrói uma verdade nova e conveniente.

De certa forma, a negação das nossas crenças pode ser apenas uma maneira mundana de respondermos ao desafio incrivelmente difícil de viver em um mundo virtual, onde qualquer pessoa pode subir num palanque online e criar ambiente de negação da verdade, de discurso de ódio, ajudado pela tecnologia que tanto espiona quanto aprisiona.

Olga Borges Lustosa é socióloga, cerimonialista pública e escreve exclusivamente neste Blog toda terça-feira – olgaborgeslustosa@gmail.com e www.olgalustosa.com

(Rdnews)

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