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Revolução comportamental

Revolução comportamental

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Sem uma revolução comportamental mundial toda esperança de salvação é vã.

Por – Gil Reis Consultor em Agronegócio.

 

Os problemas e tragédias urbanas no nosso país não são novidades, pelo contrário são repetitivos. A nossa grande mídia a cada vez que faz a cobertura muda o enfoque e a abordagem transmitindo a todos a sensação que são ocorrências únicas e novas. Para grande mídia as tragédias são apenas geradoras de grandes manchetes que aumentam o número de leitores e, em consequência, verbas vultosas de patrocínio. Para as comunidades atingidas significam a vida ceifada de parentes, amigos e vizinhos.

O noticiário não se aprofunda nas causas e omitem que as tragédias vêm sendo construídas ao longo dos séculos. Para se conhecer e entender as causas é preciso ler o que escrevem os articulistas independentes sem qualquer vinculação com a grande mídia como é o caso do amigo ilustre e respeitado Advogado baiano Georges Humbert que publicou recentemente em seu site pessoal o artigo “Tragédia em recife também é ambiental”, que transcrevo alguns trechos:

“Tragédia urbana ambiental em Recife. Mais uma. Todos os anos, nas mesmas épocas e pelas mesmas causas: chuvas, falta de infraestrutura de escoamento, canais e saneamento básico, ocupação irregular, carência de habitação e moradia, ausência de planejamento, prevenção e precaução dos poderes constituídos e do ministério público. As moradias precárias, como as favelas, são acompanhadas pela ausência de infraestrutura. Para o crescimento de qualquer cidade se faz necessária a expansão de todo serviço público, como distribuição de água, rede de esgoto, energia elétrica, pavimentação, entre outros.

As áreas urbanas onde vivem a família pobres, geralmente, são desprovidas de escolas, postos de saúde, policiamento e demais infraestruturas. Em geral, favelas e demais bairros marginalizados surgem de modo gradativo em áreas de terceiros. A falta de moradia é um grave problema vivenciado nas cidades do Brasil e de vários outros lugares do mundo. Trata-se da falta de acesso a lugares com condições mínimas para serem utilizados como habitação. Há muitas pessoas em situação de rua ou habitando casas inadequadas para se viver, como favelas e barracos improvisados.

Segundo estimativas recentemente realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo não possuem um lugar para viver, enquanto mais de 1 bilhão reside em moradias inadequadas. Esse problema é uma reprodução das desigualdades sociais e de renda existentes nas sociedades.

No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 11 milhões de pessoas vivem em favelas ou em moradias consideradas precárias. Se considerarmos que uma moradia adequada é um local que apresenta sistema de fornecimento de água, esgoto, coleta de lixo e, no máximo, duas pessoas por dormitório, apenas 52% da população brasileira vive em condições regulares de residência, segundo o próprio IBGE. Vale destaque também para o fato de mais de 32 mil pessoas viverem em situação de rua no país.

Com efeito, os grandes problemas ambientais do Brasil estão nas áreas urbanas, não nas Florestas. “O Brasil é exemplo mundial e bate recordes em proteção de matas nativas, geração de energia limpa e sequestro de carbono, sendo uma das nações mais sustentáveis do G20 e do mundo. Enquanto isso somos uma negação, um dos piores em o saneamento básico, moradia digna e gestão resíduos sólidos (lixões).

Não adianta somente reclamar, ou ficar multando e propondo ações civis públicas e criminais, muitas vezes despropositadas ou que nada resolvem os problemas ambientais urbanos, pelo contrário, deixam o rastro de obras e terrenos abandonados, empregos perdidos, insegurança jurídica, potencializa o déficit habitacional na nossa cidade, atrai a marginalidade e afasta investidores. ”

O artigo do professor Georges Humbert, um dos grandes especialistas em Direito e sustentabilidade, põe a nu enormes problemas urbanos que padecem o Brasil e o mundo. Além das informações sobre a tragédia do Recife trazem ao conhecimento de todos as origens das tragédias que as intempéries provocam por todo o planeta. O acúmulo de descasos de séculos com as populações carentes provoca consequências cada vez maiores.

Todos precisamos tomar consciência que temos sido omissos em relação às populações mais carentes. Alguns podem não gostar do artigo, este “não gostar” não é novidade, a história nos mostra que nos idos do século 19, quando o teatro inglês que exibia apenas peças clássicas, trouxe para o palco a realidade do dia a dia do povo a comunidade teatral foi fortemente reprimida. Não é difícil que o artigo provoque a mesma reação em alguns da nossa sociedade que não gostam de que lhes esfreguemos nas caras as suas falhas e omissões. O que me faz lembrar o ex-Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles que chamou a atenção para os graves problemas urbanos do Brasil, incomodando a muitos.

Espero que ninguém se iluda que os problemas possam a ser resolvidos por ações governamentais de todos os países sozinhas, por quaisquer das ideologias existentes ou religiões e sejam solucionados no período de um governo, afinal representam, como já foi dito antes, o acúmulo de descasos de séculos. Não podemos deixar que a revolução tecnológica, a tecnologia e as máquinas provoquem um enorme retrocesso civilizatório. Caso o mundo não comece, o mais rápido possível, a tomar providências a tecnologia e as máquinas serão consideradas as vilãs e, ainda, serão demonizadas como em alguns livros de ficção científica, quando verdadeiramente a responsabilidade é dos próprios seres humanos.

Não se pode ‘tapar o sol com uma peneira’, a tecnologia e as máquinas são excludentes da ‘mão de obra humana da forma tradicional’, pois, a substituem e a mesma precisa ser redirecionada. Para solucionar o problema do retrocesso civilizatório será necessária a aliança efetiva entre os poderes públicos, empresas privadas e sociedade. Às empresas privadas caberá o papel que lhes coube sempre, a geração de empregos desta feita em novos conceitos, geração de riquezas e a distribuição de renda, aos governos caberá novas políticas públicas inclusivas de qualificação de mão de obra, investimentos e subsídios para enfrentar os novos tempos onde diariamente surgem centenas de novos ‘nichos de mercado’ que exigem qualificação e empreendedorismo. Já a sociedade deverá participar ativamente, de uma forma ou de outra, de todo o processo.

Não pense meu caro leitor que o desafio mundial é pequeno, ao contrário é enorme. No Brasil o desafio é maior ainda, porquanto, os orçamentos públicos são retrógrados, neles se misturam despesas com investimentos e alguns políticos são contra investimentos e subsídios. Todo recurso adicional destinado para investimentos e subsídios precisa ser compensado de imediato com outras verbas orçamentárias, como se retorno dos investimentos e subsídios também fossem imediatos. Quanta ignorância sobre a realidade.

Para encerrar afirmo que o mundo está precisando de uma grande revolução, não como pregam os extremistas ideológicos, sangrenta onde irmãos de um mesmo país se matam, e sim uma revolução comportamental e de atitudes. Lembrem-se todos a caridade é um dos mais belos sentimentos e que não deve ser olvidada, todavia, não é através da caridade que resolveremos os problemas dos mais carentes.

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