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Terra arrasada com finalidade duvidosa

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Terra arrasada, não sobrou ninguém

Por Gil Reis – Consultor em Agronegócio

O que vem acontecendo em termos de desmatamento causa imensa perplexidade e para mim, enquanto escritor, é instigante e digno de um bom romance policial, no estilo da Agatha Christie, com o título ‘Terra arrasada, não sobrou ninguém’, no qual teria de escolher quem são as vítimas e os assassinos. A ideia deste artigo é sugerir que todos os que se informam através das grandes mídias internacionais e nacionais reflitam e raciocinem mais sobre o ‘espantoso assunto’.

Recentemente, em 20/11/2021, o jornal ‘Estadão’ publicou uma matéria, destinada a escandalizar e partidarizar o assunto desmatamento, sob o título ‘Terra Arrasada’. Vou transcrever partes do texto e, por favor, não se impressionem, caso contrário esse imenso veículo de comunicação atingirá seus objetivos.

“Ninguém se dirá surpreso com o aumento do desmate na Amazônia – políticas públicas têm consequências e sua destruição também -, mas a aceleração é estarrecedora mesmo para o mais sombrio dos pessimistas. A devastação, que no primeiro ano do governo atingiu a maior área em uma década, cresceu no segundo ano e no terceiro explodiu. A situação está fora de controle.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais, entre agosto de 2020 e julho de 2021 foram desmatados 13.235 km², o maior volume desde 2006. A diferença é que aquele ano o desmatado estava em queda, chegando ao menor patamar histórico, 4.571 km², em 2012. O aumento galopante dos últimos 12 meses, quase 22%, não era observado desde 1998, quando subiu 24%. Desde que Jair Bolsonaro assumiu o governo, o volume dobrou.

Tal como o desmate é uma violência direta ao meio ambiente, a falta de transparência é uma violência direta ao direito dos brasileiros de acesso à informação. Além disso, as sequelas socioeconômicas são brutais. O princípio do crescimento econômico é o crédito.

Quando os compromissos (como os assumidos na COP) e os dados do governo não são críveis, a credibilidade do País evapora e os investidores fogem. Autoridades internacionais, em parte por genuína preocupação ambiental, mas em parte por demagogia e para proteger seus próprios cidadãos, ameaçam o agronegócio nacional com boicotes e sanções.”

Algumas coisas chamam a atenção no artigo do Estadão além da intenção de, explicitamente, partidarizar o desmatamento e acusar o atual governante como responsável por uma situação que vem rolando ao longo dos anos e jamais foi resolvido por governos anteriores deixando a sensação que qualquer governo resolveria o problema.

Diz ainda, ‘a falta de transparência é uma violência direta ao direito dos brasileiros de acesso à informação’, esta afirmativa me deixou pasmo, afinal o que vem fazendo a grande mídia que não seja tornar transparente o assunto e, a mor parte da tempo, distorcendo-o.

O Estadão se refere simplesmente à desmatamento sem precisar ou distinguir o legal ou ilegal, dando armas aos inimigos do Brasil, talvez seja essa a intenção.

Finalmente a matéria aborda uma verdade – ‘Autoridades internacionais, em parte por genuína preocupação ambiental, mas em parte por demagogia e para proteger seus próprios cidadãos, ameaçam o agronegócio nacional com boicotes e sanções’ – esta informação resume, em poucas linhas, o que vem realmente acontecendo e que invalida todos os outros argumentos expostos.

A matéria foi publicada em seguida da informação do MAPA do sucesso do Brasil obtido pelo Ministério em um dos eventos da COP26:

“O Mapa lançou, durante a COP, as versões em inglês de três livros que reúnem pesquisas sobre os fatores de emissão e remoção de gases de efeito estufa na pecuária e na agricultura, além das estratégias de adaptação à mudança do clima na agropecuária. As publicações trazem informações sobre a emissão e remoção de GEE para culturas como cana-de-açúcar, grãos, sistemas integrados de produção e florestas plantadas e também abordam estratégias remoção de metano na pecuária. O Mapa também apresentou na COP o Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil (PronaSolos) e os novos mapas de estoque de carbono orgânico dos solos brasileiros. O material é uma importante ferramenta para subsidiar políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas e à diminuição da emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEEs), com gestão eficiente dos recursos naturais. ‘Temos acompanhando temas como transparência e ambição, sempre no intuito de garantir, no que diz respeito ao Mapa, as condições para que a agricultura brasileira sustentável possa continuar se desenvolvendo e mantendo a vanguarda e a condição de potência agroambiental do Brasil’, avaliou o assessor especial do Mapa, Fernando Zelner, que também participou ativamente das discussões na COP26. A ministra Tereza Cristina participou da abertura do Brasil na COP26, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, destacando que a agropecuária, realizada de maneira sustentável, é parte da solução para um duplo desafio: mudança do clima e segurança alimentar.”

O que destaco como atuação do MAPA é que o Ministério não foi a Glasgow se ‘gabar’ ou fazer promessas que não poderiam ser cumpridas. O que fez foi, praticamente, apresentar um relato do que já estava sendo feito há mais de 10 anos e mostrar os aprimoramento realizados. Ficou mais do que comprovado que não é a agropecuária a grande responsável pelos míseros 3% de gases de efeito estufa emitidos pelo nosso país.

Não sei se os leitores acreditam, todavia, eu não acredito em coincidências. Talvez devêssemos raciocinar em conjunto. É impressionante como o tal desmatamento cresceu às vésperas da COP26 e uma pergunta me choca profundamente – a quem interessa? Vejamos, o satélite espião da nossa região mostra exatamente onde foi o desmatamento ensejando o imediato deslocamento das forças policiais para os locais desmatados e os interdita. Assim perde todo o sentido o ato praticado. Os desmatadores não poderão aproveitar a terra arrasada, serão eles ingênuos, desavisados, desinformados, alienados ou burros?

Quem são as vítimas? Essa é fácil de responder – nós, os Amazônidas, o governo e o Brasil.

Qual a finalidade? Provar que não somos dignos de deter a propriedade da Amazônia, derrubar ou impedir a reeleição do atual governo ou expurgar o Brasil do mercado internacional?

Parece que estou me desmentindo, não se trata de uma trama policial e sim política. Quem são os responsáveis? Aí uma indagação que não sei e não me atrevo a responder, porém, tenho certeza que a resposta vale bilhões de dólares.

Paralelamente, no final dos intensos debates, marchas e contramarchas o fantasioso ‘pacto de Glasgow’ foi assinado por 100 países. Chamo de fantasioso, porquanto, as promessas contidas não serão cumpridas. Em um primeiro momento creio que algumas das tais promessas sejam cumpridas, até que os governantes percebam a ‘ficha cair’ diante dos enormes prejuízos causados pelo cumprimento.

O mestre da ficção científica, o cientista Isaac Asimov, traz no bojo de sua obra ‘Fundação’ um conselho bastante interessante – ‘Nunca permitam que o sentido de moralidade impeça de fazer o que é justo!’

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