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Um país exportador de grãos importar esta certo?

Um país exportador de grãos importar esta certo?
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Por Glauber Silveira da Silva

Tal decisão por parte do governo em isentar de tributação soja e milho que podem ser importados dos EUA não agradam os produtores, porém é entendível tal decisão  frente a temerária possibilidade de falta de produto, mesmo que remota o governo dá sinais a tranquilizar o setor consumidor que vem se mostrando assustado não pela disponibilidade de soja e milho no mercado, mas sim pelos preços que subiram muito internamente.

O Brasil é um país exportador de comodities, falar em importação parece absurdo, mas diante da falta de estratégia de abastecimento e mediação de mercado por parte do governo, uma das alternativas seria abrir a importação, mesmo com produtos sobrando no mercado brasileiro, lembrando que nesta safra 19/20 produzimos 102 milhões de toneladas de milho com um consumo de 69 milhões, sendo assim porque importar? A importação é dada como uma sinalização de tentativa de limitar a alta dos preços acima do atual patamar, sendo assim talvez nem gere importação e somente controle de preço.

Mesmo quem importar agora terá milho mais caro que se tivesse se precavido e feito contrato de compra antecipada, lembrando que o preço do milho e soja são cotados em dólar a preço do Chicago, sendo adicionado a ele o custo de transporte até o destino, imagine um milho sair dos EUA para abastecer uma granja em Rio Verde Goiás! O custo deste milho será viável ? os estudos de mercado mostram que a soja chegara aos portos brasileiros a 160 reais no mínimo e o milho a 85 reais, horas mais caro que o produto brasileiro, sendo assim a medida não resolve, o governo atua como Pilatos lavou as mãos.

O agro brasileiro defende o livre comércio com países onde não tem subsídio como a brasileira, Por isto não é questão de ser contra a importação sem taxas! Entendemos o papel do governo em acalmar o consumidor! Mas entendemos que é algo temporário afinal a agricultura deles é subsidiada é muito subsidiada! Sendo assim não seria justo deixar sem nenhuma taxação de importação produtos vindos principalmente dos EUA, que a medida seja temporária a fim de não prejudicar uma agricultura heroica e que produz mais que consome como no caso também da soja que produzimos 126 milhões de toneladas diante de um consumo de 46,5 milhões, ou seja, importar mostra que algo está errado.

Entendemos que é uma medida temporária e que pouco vai afetar o mercado, ela serve apenas para colocar um limite de preço com a importação! Isto tem sim um papel neste momento onde a safra brasileira já está bem comercializada e devemos ter baixos estoques de soja e milho de janeiro a junho! Mas mesmo assim os estoques de milho devem ser superiores a 8 milhões de toneladas e de soja 20 milhões, como podemos ver produto não falta, o que falta é gestão de estoques.

Importante lembrar que mesmo sem subsídios a soja e o milho  brasileiro são os mais baratos do mundo! A falta de subsídios a agricultura brasileira fez um belo papel de fazer com que a agricultura fosse eficiente e á uma das mais competitivas do mundo devido a capacidade de seus produtores e a tecnologia tropical gerada. A abertura de importação apenas referenda a falta de planejamento do governo e do consumidor de grãos! o produtor de milho e soja brasileiro produz o melhor e o mais barato! Chega a ser absurdo ter que importar milho e soja americano!

Quem não fez o dever de casa em comprar milho e soja para a entressafra brasileira errou muito e está apostando em milagres! Importante lembrar que temos excesso de produção! Não falta grãos no Brasil! Pode importar mas o custo será mais alto que se tivesse sido adquirido aqui! E importante lembrar que no Mercosul não temos taxa de importação é livre comércio.

O mercado de carnes precisa se organizar e adquirir com antecedência e com programação de entrega! Precisamos com tudo isto ver a importância de termos  mais armazéns e um programa de apoio a compra antecipada pelo consumidor, importar milho e soja é importar trabalho num país que carece de empregos e tem um potencial agrícola enorme! O que falta é planejamento da cadeia, porque não fazer contratos de compra com entrega futura desvaliando como tem feito o setor de etanol!

A Conab teria um papel fundamental nisto, na gestão de estoques, afinal como seu nome diz é companhia de abastecimento, mas atualmente não sei mais a que serve a não ser divulgar números que não geram políticas públicas ou de segurança alimentar! A gestão de estoques mínimos abastecedores mesmo em armazéns privados posicionados estrategicamente seriam uma alternativa viável e eficaz! Pois como digo agora como fica o granjeiro que está lá no interior do Brasil? A este a importação não salvará! Ou seja a CONAB deveria rever seu discurso poético de órgão agora de inteligência, tenho visto excesso de inteligência em governos e pouca ação efetiva.

Mas reforço que não faltará grãos no Brasil! E caso ocorra será pontual em regiões onde a logística é prejudicada, já vimos este filme da falta de produto em outras safras e vimos que o mercado se arranjou.  Nos últimos 15 anos nunca faltou muito pelo contrário! O que precisa é de gestão dos estoques e o uso das ferramentas comerciais que já estão aí.

 

Glauber Silveira da Silva é Pres. Arefloresta,da C.S.Soja do MAPA, dir. da Aprosoja, Abramilho, produtor, agrônomo, Jornalista e apresentador do Direto ao Ponto.canalrural.uol.com.br/programas/informacao/direto-ao-ponto

www.facebook.com/glauberdiretoaoponto

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