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A abundância é a solução

A abundância é a solução
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Na medida que há abundância os custos de produção caem e os preços despencam.

Por Gil Reis, consultor em Agronegócio

Para se construir um amanhã melhor é preciso começar hoje. Alguns de tantas preocupações com o futuro esquecem que estamos vivendo o hoje e é o dia de hoje que deve ser enfrentado. O amanhã e o futuro começam a ser construídos hoje com as nossas ações e o nosso objetivo de vida que, naturalmente, envolve a busca do melhor para nós e para todos. Pode parecer filosofia barata, todavia, não é e muito menos regra socialista ou religiosa. Trata-se da regra de ouro do bom viver e prosperidade, o ser humano vive em comunidade e o seu ‘destino’ está intimamente relacionado com o que ocorre na comunidade em que vive.

Todos hoje vivem pensando, se preocupando com o futuro e poucos têm tempo de refletir chegando ao cúmulo de esquecer conhecimentos adquiridos e o que a ‘intuição’ e o raciocínio lógico nos dizem, alguns acham que intuição é coisa de mulher o que é um engano porque o dom delas é a intuição mais acurada. Assim é que de repente alguém nos dá um choque de raciocínio e nos leva a refletir como é o caso do jornalista Leandro Narloch, autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, entre outros, ao publicar na Folha de São Paulo, em 21/10/2022, o artigo “A esquerda e a agenda da abundância”, que transcrevo alguns trechos:

“Centro-esquerda americana está finalmente entendendo a importância da oferta de bens para o poder de compra dos pobres. Suraj Patel é um político do partido Democrata; Ezra Klein e Matt Yglesias são fundadores do site de notícias Vox e colunistas do New York Times. Esses três nomes, entre outros da centro-esquerda americana, têm chamado atenção para um dos principais temas de 2022: a necessidade de se formar um consenso quanto a uma ‘agenda da abundância’.

Em condições normais, se a oferta de um bem aumenta mais que a demanda, os preços caem. Isso é ótimo para os pobres, pois um jeito de fazê-los ganhar mais é tornando as coisas mais baratas. Tendo essa regra em vista, quem se importa com o poder de compra dos pobres deveria fazer uma pressão enlouquecida por abundância —ou seja, para que se aumente a oferta de apartamentos, médicos, alimentos, energia e outros itens de necessidade básica.

‘Muitos dos grandes sonhos da esquerda focam no lado da demanda’, escreveu Klein no artigo ‘O equívoco econômico que a esquerda está finalmente enfrentando’. Para ele, está na hora de se criar um ‘supply-side progressivism’, uma esquerda focada no lado da oferta.

San Francisco é o melhor exemplo de estrago causado pela falta de preocupação com a oferta de bens. Governada há décadas por Democratas, a cidade tem regras superestritas de construção e uso do solo. É mais fácil Elon Musk mandar um carro para Marte do que construir um prédio na cidade. Com a oferta estável mas a demanda em alta, o preço dos imóveis subiu 900% desde 1980. O poder dos moradores de vetar novas construções no bairro e o excesso de restrições acabaram tornando San Francisco uma cidade excludente, para poucos.

Milhares de pessoas moram nas ruas porque não conseguem comprar uma casa ou pagar um aluguel do metro quadrado mais caro dos Estados Unidos. Para não jogar do lado das incorporadoras, a esquerda costuma responder ao problema com medidas paliativas (cotas de apartamentos populares, controle de aluguéis, crédito subsidiado). ‘Mas é criando abundância —muitas casas para todos, com o preço das novas moradias relacionados aos custos básicos de construção e casas ‘usadas’ disponíveis a preços com desconto— que se constrói uma sociedade mais funcional’, diz o jornalista Matt Yglesias em sua newsletter.

Fenômeno semelhante ocorre na saúde, área em que o lobby dos médicos impõe regras que restringem a oferta de profissionais e a simplificação de procedimentos. Com menos concorrência, médicos e hospitais podem abusar dos preços. A resposta do governo (subsídios dos planos de saúde) acaba aumentando ainda mais a demanda —e os preços. Na área da energia, alguns defensores da agenda da abundância dizem coisas que parecem ter vindo do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Matt Yglesias acredita que um primeiro passo é aceitar as leis básicas da economia. ‘Há um certo tipo de pessoa para quem a chave para destravar uma mudança radical e progressista na política econômica é desmascarar o modo econômico de pensar’, diz ele. Em outras palavras, está na hora da esquerda aceitar a lei da oferta e procura”.

O raciocínio exposto por Leandro Narloch é bastante claro e lógico, porém é preciso lembrar que a simples abundancia da produção de alimentos sozinha não resolve o problema da fome no Brasil e no mundo. São necessários uma série de requisitos e ações como infraestrutura adequada, transporte com custos baixos e novas tecnologias de produção. O que se assiste no mundo hoje é justamente o contrário com políticas de restrições à produção do mundo rural.

As pautas políticas nacionais restritivas à produção de alimentos, sem mencionar as internacionais, essas são abundantes. Vejamos os movimentos contrários ao Licenciamento Ambiental, Regularização Fundiária, Defensivos Agrícolas, construção de novas Hidrelétricas, a Pecuária, Desmatamento Legal, Energia Nuclear, construção de ferrovias de escoamento da produção rural dando mais mobilidade de baixo custo aos cidadãos brasileiros, Exportação de Gado Vivo e tantos outros. São erros induzidos por uma minoria engajada em orientações ambientalistas internacionais importadas, até como pautas políticas de alguns grupos para uma enganosa ‘salvação nacional”, que comprometem a possibilidade de aumento da abundância alimentar. Tais erros propositais impedem o nosso desenvolvimento, a redução da pobreza e a eliminação da fome no Brasil que precisamos tomar consciência e corrigi-los.

“O ser humano não pode deixar de cometer erros; é com os erros, que os homens de bom senso aprendem a sabedoria para o futuro.” – Plutarco, Lúcio Méstrio Plutarco, 46 – 120 d.C., historiador, biógrafo, ensaísta e filósofo.

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