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José Rodrigues do Prado, a “História de um visionário”

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Revista Casa Prado – Edição Especial Diamante/2015

Numa fazenda em uma cidade pacata do interior de Mato Grosso,  no final dos anos 1920, nascia José Rodrigues do Prado, filho de Álvaro Prado e Angelina Prado.  O garoto de espírito alegre cresceu brincando no rio Piranema com os amigos aos finais de semana.

Zezinho, apelido carinhoso que recebeu da família, adorava andar a cavalo, típico da vida na fazenda.  Mas desde muito jovem viu despertar  em si o interesse pelo comércio e, mais que isso, pela costura.

Dizem que era influência da mãe, uma costureira de mão cheia que fazia “roupa de ganho”. Mas o bom gosto que  lhe era peculiar também poderia ter sido herdado do pai, um fazendeiro de poucas palavras, mas detalhista.  Para  se ter ideia, Alváro, caprichosamente, registrava o nascimento de cada filho em um livro cuidadosamente encapado em tecido de cetim verde.

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Zila e Geraldo Prado quando crianças

As lembranças são de  Maria do Prado, uma dos cinco irmãos de Zezinho – a única ainda viva. Ela conta que dona Angelina costurava para fora e teve seis filhos (Donizete, Neuza, Dalva,  Anita, José e Maria ) na antiga fazenda da  família, a  Santa  Terezinha, localizada em Poconé.

Maria e José,  ou Seo Zezinho, como ficou eternizado,  são os filhos caçulas. A idade  próxima, conta  Maria, tornou-os muito unidos. “ Quando pequeno, ele era alegre e muito levado, colocava fogo nas vasculhadoras da casa; na cidade, saía pelas ruas apagando as luzes dos lampiões. Mas adulto, mostrou liderança e responsabilidade.  As coisas dele eram sempre certinhas.”

Conta ainda que, enquanto o irmão  mais velho Donizete optou por seguir os passos do pai, cuidar da fazenda e ter sua fábrica de arroz,  José Rodrigues  seguiu os caminhos da mãe, mas numa mistura com o que veio a aprender com o sogro,  no comércio.

Foi então que em 11 de Fevereiro  de  1955  Zezinho fundou a Casa Prado. Isto, há 60 anos. Uma trajetória marcada por estilo e inovação.

De lá para cá, a moda evoluiu e passou por diversos processos  de transformação, mas alguns conceitos como a qualidade e o respeito pelos clientes permaneceram ao longo dessa  história que chega à terceira geração, visto que hoje a Casa Prado é comandada pelos netos de Seo Zezinho, Geraldo José  Z. do Prado e Priscila Prado.

Um ingrediente especial foi  inserido em todo este projeto  desde o início: o amor. Não há como falar de Zezinho sem falar  do amor dele à família, à esposa, aos clientes e à loja, que começou na região  central de Cuiabá.

Inicialmente, a Casa  Prado ficava na Praça da República, em  uma casa de dois andares, onde funcionavam o comércio e a residência da família. Tempos depois, a loja foi transferida para o prédio Palácio do Comércio.

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Fachada da primeira loja Casa Prado

UMA HISTÓRIA DE AMOR.    

E para contar a história da Casa Prado  é preciso fazer uma introdução de uma linda história de amor. Zezinho conheceu  Yvonne Biancardini em Poconé, e  apaixonou-se perdidamente.

Amor que é lembrado por todos que conheceram o casal. A irmã Maria do Prado conta que eles eram eternos  namorados.

“ Viveram a vida toda na maior felicidade”.

 

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A cunhada Jabica Biancardini Silva (irmã de Yvonne) também lembra desse sentimento e comenta:  “ amavam-se loucamente”. A outra irmã de Yvonne, Beísa Biancardini, que  trabalhou na loja por alguns anos, deixando  grande contribuição  para a empresa,  também conta  que o amor deles  era incomparável.

A filha, Zila Biancardini Prado Amaral, relata ainda  que “ um era dependente do outro para tudo”.

Zezinho e Yvonne, muito jovens, casaram-se .

Ele foi acolhido pela família da esposa e logo foi trabalhar com o sogro em um comércio na pacata  cidade pantaneira. Ali aprendeu muito  sobre vendas.

Depois do matrimônio, o casal mudou-se para Cuiabá, onde nasceu o primeiro filho, Geraldo Prado. Anos depois, Yvonne deu à luz  Osmar, mas ele acabou falecendo no parto.

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Zezinho e Yvonne, casal sempre foi muito apaixonado

Pouco tempo depois, o casal foi presenteado com a chegada da caçula, Zila Biancardini Prado Amaral.

Sempre dedicado à família e apegado à esposa,  Zezinho resolveu inovar no comércio cuiabano  com o apoio  do sogro. Numa época em que as lojas  vendiam de tudo  e não existia o comércio segmentado, ele resolveu abrir  um espaço voltado  somente a “produtos para cavalheiros“.

Tratava-se de uma alfaiataria no centro da capital, que logo foi ganhando clientes  não apenas  pela novidade, mas principalmente pelo atendimento que  era dado pelo dono.

PACIÊNCIA E HONESTIDADE.

Zezinho recebendo homenagem na CDL
Zezinho recebendo homenagem na CDL

Para muitos, a humildade de seo Zezinho foi fundamental para o crescimento da loja. Ele fazia questão de fazer as marcações nas roupas. Atendia todas as pessoas de forma igual, não importava a classe social. Além de histórias de que até “fiado” vendia. Não se importava com as horas e nem mesmo com o dia da semana. Estava sempre pronto para servir a qualquer pessoa que entrasse na loja.

O filho Geraldo Prado, que assumiu o comando da loja após a morte do pai, em 1988, conta que outra qualidade de Zezinho era a paciência. Ele relata uma história que  demonstra bem essa característica.

“ Eu era adolescente, devia ter uns 13 anos, e já dirigia – naquela época – e  fui buscar  o pai na loja; já eram seis horas da tarde e começamos a abaixar a porta, quando chegou um cliente que precisava de um sapato. Sem reclamar e nem questionar, meu pai rapidamente reabriu a loja para atendê-lo. Após experimentar 22 pares de sapato, o cliente não levou nenhum  deles, e meu pai ainda ofereceu uma carona”, recorda-se Geraldo.

O filho diz que chegou a questionar o pai sobre o fato. Contudo, passado alguns dias, seo Zezinho contou que o cliente havia retornado à loja e feito uma grande compra. Essa é uma das histórias que marcou o filho Geraldo, que levou essa filosofia adiante na loja.

Afinal, a Casa Prado é como seo Zezinho: trabalha pautada pelo respeito ao cliente, paciência, com sabedoria, humildade e sinceridade.

Ah, a sinceridade. Geraldo lembra que o pai José Rodrigues era sempre muito honesto. Quando algum terno ou roupa não ficavam bons ou não ajustavam, seo Zezinho informava e sugeria ao cliente para que não levasse, e voltasse somete quando chegassem novas mercadorias.

Com toda esta simplicidade, seo Zezinho foi conquistando clientes fiéis, que até hoje frequentam as lojas da Casa Prado.

O bom gosto para escolha das roupas não era apenas para os clientes, Zezinho e Yvonne sempre andaram nos “trinques”, como descrevem alguns parentes. Cilce Biancardini  Gomes da Silva Master, sobrinha do casal, conta que a tia gostava do belo.  “ Ela era muito refinada e cuidava para que meu tio estivesse sempre elegante. Isso contribui para garantir a qualidade dos produtos Casa Prado”.

Na loja, apesar de estar sempre à frente de tudo, Zezinho tinha um braço direito, que era seu cunhado, conhecido por Machado. Ele assumiu a gerencia da loja e também fazia questão de atender diretamente os clientes, marcar a barra, os ajustes, e estava sempre atento à conduta dos funcionários.

A filha Zila lembra que o pai tinha total confiança em Machado, sendo  possível viajar com a família, deixando a loja sob total responsabilidade do cunhado, que era casado com Dalva (uma das irmãs de Zezinho).

O AVÔ ATENCIOSO.

Com os netos Priscila e Geraldo José
Com os netos Priscila e Geraldo José

José Rodrigues não chegou a conhecer as filhas de Zila, pois faleceu quando ela estava grávida da primogênita, mas as netas cresceram ouvindo as histórias e os exemplos de seo Zezinho.

“ Só escuto coisas lindas a respeito dele. Sua bondade, respeito pela família e profissionalismo na Casa Prado são exemplos para nós. Tenho muito orgulho de fazer parte dessa família”, conta a filha mais velha de Zila, Luana do Prado Amaral.

“Não tive o prazer de conhecê-lo, mas sou privilegiada por ter crescido ouvindo historias sobre ele, sempre reconhecido pelo seu corção bom e generoso, seu caráter  excepcional e sua dedicação ao trabalho. Sinto-me orgulhosa por tudo o que ele e minha avó Yvonne construíram juntos”, declara a neta  Larissa do Prado Amaral.

Já os filhos de Geraldo eram crianças quando perderam o avô, mas possuem boas lembranças. Priscila Prado Oliveira tinha nove anos e Geraldo José Z. do  Prado seis anos quando ele  morreu, e recordam-se da dedicação à  família, sempre presente e atencioso com todos.

Priscila se lembra de um dia em que brincava em casa com as amigas e o irmão de pingue-pongue com  “equipamentos” improvisados. “Meu avô me ligou e perguntou o que eu estava fazendo. Contei que agente  estava jogando com a capa de caderno. Logo depois, ele chegou lá em casa com todo material para se jogar pingue-pongue”.

São essas boas lembranças  e as histórias de superação, humildade e bondade que ouviriam de seo Zezinho ao longo dos anos que ambos carregam consigo até hoje. Agora Priscila e Geraldo José estão à frente da Casa Prado.

UM BOM PATRÃO.

O casal fazia questão de tratar os funcionários como uma família
O casal fazia questão de tratar os funcionários como uma família

Não são apenas familiares e amigos que elogiam Sr. Zezinho e se lembram dele com muito carinho e saudades. Os funcionários que tiveram a oportunidade de conhecê-lo relatam como ele era como patrão e amigo. Um deles é Joadir Queiroz, que está na Casa Prado há 25 anos, e chegou a trabalhar na loja do centro. Ele ainda foi um dos primeiros colaboradores da loja do Goiabeiras Shopping, inaugurada em 1989. Infelizmente, José Rodrigues faleceu em 1988, antes de ver o segundo empreendimento aberto, mas deixou o projeto de expansão já encaminhado para que o filho Geraldo dessa continuidade.

Joadir conta que seu avô trabalhava com Zezinho na loja do centro e foi quem conseguiu o emprego na época. Não chegou a conhecer o fundador da Casa Prado, mas conheceu Orivaldo Machado, o Machadinho. Lembra que ele fazia questão de estar à frente de todas as coisas na loja e, principalmente, de marcar as roupas dos clientes para os ajustes necessários. Machadinho sempre se preocupava em dar o atendimento equivalente ao que Zezinho dava.

Colaboradores em confraternização na casa de Zezinho
Colaboradores em confraternização na casa de Zezinho

Dentre as inúmeras historias contada por pessoas que conheceram José Rodrigues, Joadir relata uma que foi

contada por seu avô. Uma cliente havia ido à loja e feito uma grande compra, mas na hora de pagar percebeu que tinha esquecido o dinheiro e o talão de cheque. Sem se importar, Zezinho disse que ela poderia levar os produtos e voltar para pagar depois. Porém, ela não aceitou. Mesmo assim, ele pegou todos os dados da cliente e quando ela chegou em casa a compra já havia sido entregue.

 

 

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