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O que comemorar com o novo Plano Safra.

O que comemorar com o novo Plano Safra.
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Por Glauber Silveira 

O governo anunciou o maior Plano Safra da história mostra o tamanho da importância do agro para a nossa economia, para nossa segurança alimentar, ainda mais em momento de pandemia. São R$ 236,3 bilhões para o crédito rural, taxas de juros menores que variam de 2,75% a 6% e R$ 1,3 bilhão para a subvenção do seguro rural. Plano construído e anunciado pelo governo com a participação também de lideranças do setor e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), resta saber o que se tem para comemorar?

Todo ano se arma o circo para o lançamento do plano safra como se ele fosse resolver todos os problemas dos produtores rurais, fica até parecendo que o governo resolveu tudo neste lançamento, como se este dinheiro fosse uma benesse ao setor produtivo, mas convenhamos todo ano o lançamento do plano safra é mais uma oportunidade de propaganda do governo que realmente a efetivação de uma política de crédito, ou seja muita propaganda se faz e o real impacto positivo é questionável. A MP do Agro trouxe novos instrumentos de crédito e que precisam ser implementados, várias são as novas ferramentas de financiamento a ser efetivadas, tenho a sensação de que muito se tem falado e pouco resultado prático tem surgido.

Para se ter uma ideia o plano safra em Mato Grosso responde por apenas 20% do total de recursos necessários para se custear a safra de grãos e plumas, isto porque no plano safra cresceu, enquanto o governo comemora e divulga ser o maior da história o que é natural visto que a nossa safra se amplia a cada ano, estranho seria se diminuísse, mas é importante comemorar sim pois, sem dúvida o plano safra é muito aguardado por pequenos e médios produtores haja visto que o limite por CPF impede que produtores maiores obtenham o total de recurso para custear sua safra com o crédito agrícola oferecido pelo governo, produtores de até 500 há são mais atendidos. Não quero ser injusto com o Plano Safra que tem sua importância, porém é preciso avançar e ser algo contínuo.

O produtor precisa de segurança, por isto investimentos em armazenagem e seguro rural são fundamentais para dar estabilidade à produção e evitar que os produtores fiquem à mercê de intempéries climáticas e de solavancos econômicos. Mesmo diante da sua importância apenas 1,3 bilhões para a equalização dos prêmios de seguro e  foram disponibilizados e comemorados como se fosse um grande avanço, em 2020 foram segurados 15 milhões de há, com este recurso se espera segurar 21 milhões de há, o Brasil segundo dados da Embrapa produz em aproximadamente 64 milhões de há, ou seja, o seguro contempla 30% da área agrícola.

No Brasil, o seguro rural deveria ser como em outros países: garantir a produção e a rentabilidade do produtor.  É a segurança que permite a permanência do agricultor na atividade. O governo federal lançou recentemente um novo modelo de seguro rural que está sendo testado. Por ele, entidades representativas dos produtores acumulam o papel de gestoras do recurso da subvenção, por meio da negociação de avaliação do risco. Consta, na avaliação, o histórico do produtor, sinistros e análises de custos e do tipo de seguro.  A intenção é boa, embora o momento seja crítico para a agricultura e o campo necessite de ações urgentes que realmente deem segurança.

Aquilo que é comemorado pelo governo ano a ano, para muitos líderes deveria ser diferente, o que se espera do governo é uma evolução, modernização, um programa de crédito contínuo, ou seja, o governo faz a equalização dos juros e os bancos fornecem o crédito, o que se espera é que ao se pagar se tenha automaticamente liberado igual valor ou maior de acordo com o crescimento do produtor ou o valor de custeio da safra, assim como funciona em um cartão de crédito, você paga e o limite está  liberado, sem necessitar de toda esta comemoração que mais trás negatividade ao agro que fatores positivos pois, a sociedade acha que o governo está dando recursos ao produtor o que não é verdade.

Claro que devemos comemorar o Agro! Mas creio que o foco deveria ser outro! Guardadas  as proporções históricas com os dias atuais, uma nova recessão mundial está posta  devido a pandemia causada pelo Covid-19,  o Brasil se encontra em mais uma crise aguda seja econômica e também política, mas o Agro tem mostrado sua importância neste momento em que quase tudo para, os produtores se mantem no campo produzindo para dar segurança as cidades, não sabemos até onde isto irá, mas podemos sim comemorar que a produção brasileira e seu produtor passam a ser vistos com o devido olhar pela sociedade, o olhar de respeito.

*Produtor e engenheiro Agrônomo, Presidente do Sindicato de Campos de Júlio, da Câmara Setorial da Soja (MAPA), Vice-presidente da Abramilho e Diretor da Aprosoja.

E-mail: glauber@agroplante.com.br

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